A magia dos inventores

•29/08/2011 • Deixe um Comentário

Por João Gabriel de Lima

Heitor Villa-Lobos, Walter Smetak e Marco Antônio Guimarães, cada um a seu modo e cada qual em sua época, foram ou são mais do que ótimos compositores: ao enriquecer suas partituras com timbres ou sonoridades que até então não existiam, passam a fazer parte do grupo restrito dos inventores de música.

Muitos dos sons inusitados que povoam as músicas desses três criadores não são completamente inéditos. Grande parte dos instrumentos construídos por Villa-Lobos, Smetak ou Marco Antonio se baseia nas ideias de inventores anônimos – os artesãos populares. O tambu-tambi de Villa-Lobos, por exemplo,

tambutambi  é decalcado do bastão de ritmo indígena. Vários instrumentos tocados pelo grupo Uakti – que tem em Marco Antônio Guimarães seu projetista – emprestam técnicas do artesanato popular e têm como matéria-prima os mesmos bambus e cabaças usados para embalar danças e folguedos. Não existe criação a partir do nada: o mérito dos inventores está em fazer a ponte entre a criatividade espontânea de quem constrói instrumentos para satisfazer necessidades imediatas – que podem estar relacionadas com a sobrevivência, como a caça e a pesca no caso dos índios, ou com o prazer, como no caso das festas populares – e os conhecimentos acústicos e teóricos herdados da música de concerto. Assim, a criatividade às vezes reside em pequenos detalhes que alteram profundamente a sonoridade original. Um exemplo é o reco-reco. Villa-Lobos aplicou-lhe uma surdina,                                                          recoreco abafando-lhe o som, ao passo que o Uakti adaptou ao mesmo instrumento uma cabaça, recouaktitornando seu timbre mais grave. O talento do criador reside em extrair de um rústico e barulhento reco-reco todas as nuances sonoras que ele esconde.  

Muitas vezes a genialidade dos inventores é grande demais para ficar presa às formas de instrumentos musicais que já existem. Quando isso acontece, eles procuram a música em objetos que nunca haviam participado de uma orquestra até então. Smetak, em um arroubo de criatividade, transforma um funil e uma mangueira em um instrumento de sopro, corneta  enquanto Marco Antônio Guimarães deixa as panelas de cozinha sem tampas para fazer com elas uma estranha espécie de violoncelo.tampas

Tanto Villa-Lobos como Smetak e Marco Antônio foram ou são violoncelistas, uma coincidência que pode fazer com que alguém pense que as notas graves do violoncelo têm o poder de excitar a imaginação musical. Mas a magia dos inventores reside em um segredo bem menos complicado do que esse: eles são apenas pessoas que se acostumaram a ver o mundo com olhos musicais, e enxergam sons naqueles objetos que estão em volta de todos nós e nos quais raramente prestamos atenção – como panelas, funis, molas ou mangueiras. Esse poder de ouvir com os olhos não é nenhum dom sobrenatural, é apenas uma questão de sensibilidade: quem chegou até aqui, certamente começará a descobrir no mundo que o rodeia insuspeitadas possibilidades musicais. A partir desse momento, será mais um a desafiar, através da música, a mudez e a aparente frieza dos objetos que fazem parte do dia-a-dia.  

 

Jorge Dersu Voz Violão Copyleft Música Livre

•28/08/2011 • Deixe um Comentário

As músicas são livres para cópias, modificações e podem ser reproduzidas e usadas, bastando o autor e a fonte serem citados. Isso é Copyleft.

O modo mais simples de tornar uma música livre é colocá-la em domínio público, sem copyright. Isto permite que as pessoas compartlhem a mesma e suas melhorias, se elas estiverem dispostas a tal. Mas isto também permite que pessoas não–cooperativas transformem a música em proprietária. Quem recebe esta forma modificada da música não tem liberdade que o autor original havia lhe dado. O intermediário eliminou as liberdades.

O objetivo é dar a todos os ouvintes-usuários a liberdade de redistribuir e modificar as músicas. Se algum intermediário fosse capaz de retirar a liberdade, nós teríamos muitos ouvintes-usuários, mas eles não teriam liberdade. Então em vez de colocar as músicas em domínio público, nós a tornamos “Copyleft” (um trocadilho com o termo “copyright”. Significa “deixamos copiar”.) O copyleft diz que qualquer um que distribui as músicas, com ou sem modificações, tem que passar adiante a liberdade de copiar e modificar novamente as mesmas. O copyleft garante que todos os ouvintes-usuários tem liberdade. O copyleft também fornece um incentivo para que outros músicos contribuam com a música livre.

O copyleft também ajuda os músicos que desejam contribuir com melhorias para a música livre a obterem permissão de fazer isto. Esses músicos freqüentemente trabalham para as gravadoras que fariam qualquer coisa para ganhar mais dinheiro. Um músico pode desejar contribuir com as modificações para a comunidade, mas seu empregador pode desejar transformar as mudanças em um produto proprietário. Quando nós explicamos ao empregador que é ilegal distribuir a versão melhorada exceto como música livre, o empregador geralmente decide liberá-la como música livre em vez de jogar fora.

Para tornar uma música copyleft, primeiro nós registramos o copyright, então nós adicionamos termos de distribuição, que são um instrumento legal que garante a qualquer pessoa os direitos de usar, modificar e redistribuir a música se os termos de distribuição não forem modificados. Desta forma, a música e as liberdades se tornam legalmente inseparáveis.

Músicos de música proprietária usam copyright para retirar a liberdade dos ouvintes-usuários, nós utilizamos o copyright para garantir a liberdade deles. É por isso que revertemos o nome, mudando de “copyright” para “copyleft”.

A cópia fiel e a distribuição deste artigo completo é permitida em qualquer meio, desde que esta nota seja preservada (gnu.org).

…sementes do Verbo. sex 19 ago 11

•19/08/2011 • Deixe um Comentário

E SUCEDEU que, nos dias em que os juízes julgavam, houve uma fome na terra; por isso um homem de Belém de Judá saiu a peregrinar nos campos de Moabe, ele e sua mulher, e seus dois filhos;

E morreu Elimeleque, marido de Noemi; e ficou ela com os seus dois filhos,
Os quais tomaram para si mulheres moabitas; e era o nome de uma Orfa, e o da outra Rute; e ficaram ali quase dez anos.
E morreram também ambos, Malom e Quiliom, ficando assim a mulher desamparada dos seus dois filhos e de seu marido.
Então se levantou ela com as suas noras, e voltou dos campos de Moabe, porquanto na terra de Moabe ouviu que o SENHOR tinha visitado o seu povo, dando-lhe pão.

Então levantaram a sua voz, e tornaram a chorar; e Orfa beijou a sua sogra, porém Rute se apegou a ela.
Por isso disse Noemi: Eis que voltou tua cunhada ao seu povo e aos seus deuses; volta tu também após tua cunhada.
Disse, porém, Rute: Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus;

Assim Noemi voltou, e com ela Rute a moabita, sua nora, que veio dos campos de Moabe; e chegaram a Belém no princípio da colheita das cevadas (Rt 1,1. 3-6. 14-16. 22).

Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, e cuja esperança está posta no SENHOR seu Deus.
O que fez os céus e a terra, o mar e tudo quanto há neles, e o que guarda a verdade para sempre;
O que faz justiça aos oprimidos, o que dá pão aos famintos. O SENHOR solta os encarcerados.
O SENHOR abre os olhos aos cegos; o SENHOR levanta os abatidos; o SENHOR ama os justos;
O SENHOR guarda os estrangeiros; sustém o órfão e a viúva, mas transtorna o caminho dos ímpios.
O SENHOR reinará eternamente; o teu Deus, ó Sião, de geração em geração. Louvai ao SENHOR (Sl 146, 5-10).

E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar.
E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo:
Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.
Este é o primeiro e grande mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas (Mt 22, 34-40).

 
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